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A estrangeira

A moça da padaria, com olhar distraído, colocou três pães no saco de papel e me entregou. Mas eu havia pedido apenas dois. Ou será que pedi três, mesmo sem querer? Talvez a distraída seja eu. De qualquer jeito, não pude deixar de simpatizar com ela, que pode estar, assim como eu, com a cabeça cheia demais – mas alguns diriam vazia demais. Bom, pouco importa. Saio da padaria e sou contaminada pelo mesmo olhar distante que detectei na atendente. Meus olhos desfocam da calçada, meus pés me levam até minha rua, daquela forma automática como os atos diários acontecem – sem que tomemos real consciência deles.

Minha rua, a 1, é a mais arborizada da cidade. Os galhos das imensas árvores formam, acima dos paralelepípedos, um grande arco verde. Houve uma época em que meu maior desejo era poder morar em um lugar assim, mas sei que hoje não o aproveito o suficiente. A cidade, a alta velocidade sempre me cansou mas, dentro de sua inércia, sou acostumada, no fim do dia, a correr para o plácido conforto que encontro dentro de casa. Forço-me a desacelerar o passo, respiro fundo e apuro os ouvidos para o farfalhar das folhas das árvores. Nesse momento, passo em frente a velha biblioteca municipal. Percebo que, mesmo há tantos anos morando aqui, esse foi o único ponto da cidade com o qual realmente me familiarizei.

Mas gosto da sensação de me sentir uma estrangeira. Trouxe muitos dos meus hábitos de minha cidade natal – os cafés passados, as longas horas de leitura, a quase constante solidão – prático-os de forma quase religiosa. Tudo o que aprendi em casa continua comigo, mas os amo ainda mais agora que não preciso sentir o ar caseiro, que durante toda a vida tanto me atordoou. Fugi e trouxe comigo uma bagagem inesperada, na qual só fui capaz de adicionar algumas milhares de páginas lidas. Vejo o que sou. Uma falsa aventureira, uma senhora enganadora e destruidora dos próprios sonhos.

A lembrança da fervorosa escritora não publicada que já fui, de repente, surge diante de mim como uma sombra, como se houvesse aproveitado um momento de distração, arrastado-se desde o fundo de minha mente onde há tempos encontrava-se aprisionada, ansiando por ser.

O vento fica mais potente e mais gelado. Balança os galhos das árvores e o farfalhar de suas milhares de pequenas folhas mistura-se ao canto pujante dos pássaros no fim de tarde, criando uma orquestra que embala a cena de meu caminhar, em um ritmo quase teatral. Era sobre isso. Sobre a sensação de nostalgia e de descoberta, que nos invade sem pedir licença. Sobre ínfimos momentos de vida. Inexplicáveis, raros. Os quais estamos todos tão famintos por. Era para cada um desses sentimentos e sensações que uma versão mais jovem de mim esperava encontrar palavras para descrever.

Chego em casa e decido escrever. Escrevo esse texto que lês. A narrativa encontra o presente e encontro-me ciente do agora. Ciente de cada respiração, de cada movimento diminuto. Me pergunto se me encontro em combustão, se irei finalmente encontrar as respostas. Ou se este é apenas um rascunho a mais para a pilha. Talvez eu possa fazer deste o exemplar definitivo de meu fracasso em expressar o que carrego de mim, de organizar minhas infinitas horas de reflexões pleonásticas.

A folha e o lápis me encaram com olhos questionadores. Se perguntam quem me tornei neste período de ausência. “Teremos a resposta? Continuará ela a escrever?” Indagam. “Ou ela engana a si mesma? Talvez abandone-nos mais um vez”.

Quem serei? Me deixarei levar pela tranquilidade do normal? Serei como a senhora que mora ao lado, que cuida das plantas e dos netos? Ou perderei minha razão procurando minha mente, como fez Clarice?

Perderei minha mente procurando minha razão?

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deixa ela entrar

É tanto tempo que passamos nos arrastando por aí, tropeçando em nós mesmos, errando as esquinas que viramos. Já acordando com a mente enebulada e exausta. Procurando beleza em tudo e só conseguindo encontrar um monte de sentimento oco.

É tempo, é muito. Nunca acaba e a gente já tá mergulhado naquele lugar abafado, de eco, de vazio.

Então chega um dia em que nos surpreendemos com algo pequeno. Que o amor próprio dá as caras. Que algumas pessoas a nossa volta decidem cuidar. Algumas coisas mudam e outras se mostram mais fiéis do que nunca. Seu interior termina as obras que duraram tantos anos e causaram tanto distúrbio. A vida se alinha. A mente e o mundo conversam e entram em um acordo. A ansiedade não tem mais tanta força. As insatisfações ficam pequenas diante das coisas que lhe excitam, as vontades são mais poderosas e estar no mundo de repente vale a pena. A gente percebe que anda respirando um ar mais leve.

É estranho, mas parece que a felicidade tá querendo te conhecer melhor. Ela é aquela amiga de infância que mudou pra longe quando você cresceu um pouco mais e é estranho que ela queira entrar outra vez em sua vida, assim, do nada. Seus anos construindo uma mente cética não lhe deixam acreditar nessa relação tão pura. Ela chegou, mas com certeza planeja ir embora logo, lhe passando a perna. Ela chegou, mas vai ter preço e trazer consequências. É melhor não se apegar, assim a decepção vai ser menor.

A vida nos deixa despreparados pra quando a felicidade aparece. Os anos de sufoco fazem com que a gente duvide da alegria e fique desconfiado diante de muitos dias bons, de muitas conquistas. Parece justo? Acho que já chega de ficar tão ansioso toda vez que tudo parece bem e sair criando motivo pra se preocupar.

A dor precisa ser sentida, precisa mesmo, todinha. Mas quando a vida dar uma clareada, acredite, você merece. Deixa a felicidade entrar. Mesmo sabendo que amanhã ela pode já não estar mais aqui, trate ela bem. Convida pra passar a noite, pra ficar quanto tempo precisar e pra voltar quando quiser. Fica mais, mas promete que não vai forçar a barra. Fica e deixa eu aproveitar você.

É difícil de acreditar que a vida vai ser tão boa, mas, de tempos em tempos, ela simplesmente é.

a place within myself

Existe um cenário localizado em algum lugar do meu futuro, no qual penso bastante: eu tenho um trabalho estável, em uma editora, talvez. Não é a rotina de trabalho mais eletrizante do mundo, mas nele eu utilizo um pouco do meu conhecimento adquirido na graduação e um pouco de criatividade. Não sou rica, mas tenho o suficiente pra morar sozinha, provavelmente em um apartamento e consigo pagar minha contas sem preocupação. Tenho dois gatos (quem sabe três?). Alguns vasos estão pendurados perto da janela e há várias suculentas em cantinhos da casa. Minhas prateleiras são abarrotadas de livros. Eu leio bastante. Cozinho pra mim mesma e já larguei a carne de vez. A cada ano viajo por duas semanas, quem sabe três. Talvez por um mês completo. Essas viagens me renovam, me emocionam, me trazem sensações inéditas. Venho pra casa e me sinto acolhida no ambiente que eu mesma criei, limpo e organizado à minha maneira. Chega o dia em que já me sinto confortável em minha própria pele e as manhãs deixam de ser um peso. O amanhã deixa de ser um peso.

Talvez pereça pequeno pra alguns que aspiram por fama ou riqueza. Ou, talvez, para aqueles que já passaram pela vida batalhando, esse tipo de paz e liberdade pareça uma ilusão. Mas, não sei, eu penso bastante nesse futuro e nesse lugar. Pode também parecer uma melancolia do tipo no alarms and no surprises, talvez seja, mas espero um dia ter tudo isso. Ser mais centrada, mas ter espaço pra quando precisar viver minhas crises – e continuar na longa estrada do auto conhecimento.

Por enquanto, querer continuar por aqui na expectativa de ler mais um livro bom, adicionar mais um filme à lista de favoritos, sentir a brisa noturna mais uma vez, mais uma gargalhada. Continuar por aqui pelas expectativas e pelas pequenas coisas. Sobrevivemos dessa forma e, por algum tempo, tudo fica bem.

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inspiração: “this is what my generation is given, this is how low our standards for happiness have to be. a humble existence, a small piece of the world for ourselves, and comfortable stability are just as out of reach for some of us as fame (…)” (x)

Madrugada, introspecção e escrita.

Choveu durante a tarde. Caí no sono enquanto assistia à algum filme e acordei com um temporal. Passei o dia com meu irmão. Conversei com minha avó. Ontem jantei com quatro mulheres inspiradoras da minha família. Estou fazendo uma maratona de filmes pro Oscar. A trilha sonora de La la land é maravilhosa. O tumblr está cheio de coisas reconfortantes. Tenho começado a entender a mágica da arte de Van Gogh – e me apaixonar por cada uma das suas pinturas me traz, todos os dias, uma vibração inédita.

São dessas pequenas coisas que minha mente tem tirado conforto e por isso citá-las me pareceu uma boa maneira de começar esse texto. Agora testemunhem outra tentativa minha de, estando em mais uma das minhas malditas crises, escrever mais, colocar sentimentos nas palavras e concretizar os planos que faço pra mim mesma, nem que seja começando por algo socialmente inútil e auto-centrado como manter o blog.tumblr_obv8mnevvc1qhairto1_400

Acredito que é importante falar um pouco sobre as madrugadas. As madrugadas me confortam: eu estou sozinha, tenho silêncio, posso baixar minha guarda. E as madrugadas me perturbam, pois passar por ela de olhos fechados tem se tornado impossível. Já estudei o teto do meu quarto mais do que gostaria. Meus sonhos gritam dentro da minha cabeça nessa hora do dia, eu quero mais, mas não sei ao certo o que, e eu encaro essa versão distorcida de mim mesma que me tornei. Eu espero pela madrugada e a temo.

Há algo que com certeza está associado à minha relação com o momento mais silencioso do dia: a introspecção. Ela sempre esteve aqui, sempre gostei de ter um momento reservado pra calmaria. Há meses, tenho recusado frequentemente situações sociais que sempre gostei, pelo simples fato de precisar ficar sozinha. Precisar pensar, precisar respirar. Eu sei quando devo me respeitar, mas tenho sido tomada pela sensação de distância em relação às pessoas e pela ansiedade quando estou prestes a encontrá-las. Ando esfomeada de novas experiências, de movimento e de crescimento prático e intelectual, mas alcançar tudo isso me parece tão difícil como atravessar o Mar Vermelho.

E, por fim, volto a falar sobre a escrita. Já fui alguém que sonhava em fazer arte, respirá-la, mas acabei esquecendo disso. Existe alguma parte de mim que ficou pra trás e talvez a escrita me ajude a recuperá-la. Recuperar aspiração, (re)descobrir paixões e adquirir disciplina. Basicamente, condicionar-me a ser menos desgraçada da cabeça e suportar meu coração quase sempre pesado.

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  • textinho escrito ontem (adivinhem, de madrugada). ajeitei hoje e não quis mudar o tempo, assim tá mais sincero. é isso – eu não sei terminar post.

Tudo bem se você anda só sobrevivendo.

“I wish I knew what to do with my life, what to do with my heart… I do nothing all day, boredom settles in, I look at the sky so I get to feel even smaller than I already feel and my mind keeps poisoning itself uselessly.” – Sylvia Plath

“Tudo bem se tudo o que você fez hoje foi sobreviver”. Esses dias uma amiga me mandou essa frase e senti uma gratidão enorme. Gratidão, primeiramente, por ter alguém que me compreende tão bem quando quase nada foi dito. E também porque essas palavras me abraçaram. Sim, é exatamente assim que me sinto há tempos: sobrevivendo.

Porque não ser quem a gente deseja ser é doloroso, e não conseguir trabalhar em direção a isso dói mais ainda. Porque, apesar da quantidade de frases motivacionais que a gente lê por aí, apesar dos exemplos de pessoas que venceram, apesar do “yes, you can”, nos falta força pra ir atrás.

A nossa ansiedade pode vir do simples fato de estarmos vivos. Basta acordar, basta levantar pra sentir os chumbos nos pés. Basta um telefonema para o coração acelerar. Basta uma espiada no futuro pro peito apertar. Encarar a vida e o futuro parece ser o ato mais impossível do mundo, apesar de ser nosso maior desejo, pois é lá que nossos sonhos estão.

No fim do dia, a gente se sente uma bagunça, a gente quer poder se encolher num canto com um fone de ouvido pra poder esquecer. A gente sente medo de decepcionar o mundo, porque já fizemos isso com nós mesmos há tempos. A gente até acredita que queremos acabar com a vida, quando tudo o que a gente deseja é começar a vivê-la de verdade.

E apesar de todo esse relato ter ficado bem mais sombrio do que pretendia ser, a gente volta para o “tudo bem” do começo do texto. Pois sim, pode não parecer, mas tudo bem. Tudo bem porque o amanhã tá aí pra isso. O recomeço não é apenas depois de uma tempestade, mas pode ser depois de um mormaço ou um frio congelante, depois de tempos em que algo lhe impediu de se mexer por fora. Dizem que o universo gosta daqueles que acreditam e que, para corações bons, um caminho de luz tá reservado. O mesmo mundo que destrói nossas mentes nos reserva coisas lindas, a gente só precisar acreditar até ter força o suficiente para conquistá-las.

A vó Helena

Nos últimos tempos ando tendo muitas lembranças da minha avó materna. De quem ela era como minha vó, antes de suas lembranças lhe serem tiradas.

Lembro que na casa dela o almoço começava a ser feito no meio da manhã, lembro do cheiro do seu feijão e da sua carne temperando toda a casa. Essa lembrança vem acompanhada do barulho da panela de pressão.

As tardes eram silenciosas. Depois que a louça já havia sido lavada e as bagunças, arrumadas, minha vó se punha a preparar seus tapetes de crochê ou a separar os grãos de feijão. Concentrada, fazia um barulhinho com a boca que me dava conforto. Depois dessa tarefa feita, ela geralmente ia cuidar de suas flores, e nunca se cansava de me falar sobre elas e como deviam ser cuidadas com carinho. Não me lembro quais os nomes das flores do seu jardim, apesar dela ter me falado várias vezes. Mas lembro o quão mágico aquele jardinzinho modesto era pra mim, atiçando minha imaginação.

Geralmente, no meio da tarde, eu assistia aos desenhos da TV Cultura ou à Sessão da Tarde, mas sempre acabava adormecendo. Quando acordava, minha vó me preparava uma banana amassada com achocolatado, ou um abacate picado com açúcar, ou um pão francês em rodelas com manteiga (sempre colocando um pano no meu colo pra não sujar nada). Mas os melhores dias eram quando ela mesma fazia o pão. Eu amava vê-la sovando aquela massa e sempre dava um pedacinho pra eu brincar. Uma vez, fizemos um pão em forma de homenzinho – ela usou cravos pra fazer os olhos e os botões de sua camisa. E quando o pão saía quentinho do forno e a manteiga derretia em cima dele, a sensação era inigualável. Também preparava seu pão de coco, sua rosquinha, seu sagu de goiaba, seu doce de abóbora: as melhores coisas que já comi na vida, e diferentes do de qualquer outro cozinheiro.

Em outros dias, ela me levava pra andar de ônibus pela cidade. Ela se arrumava, com suas saias, suas sandálias, seu cardigã, seu batom, seu perfume… sua vaidade. Eu, pequena, ficava apreensiva ao subir no ônibus, ao olhar nossa pequena cidade por sua janela alta. Me sentia aventureira e livre por estar ali, mas ao mesmo tempo segura por tê-la comigo.

Lembro do Sol entrando em sua cozinha à tarde. Lembro dela cantando “boi da cara preta” pra mim. Lembro de nós duas assistindo Edward Mãos de Tesoura na Sessão da Tarde e ela dizendo: “essa história é linda”. Lembro dela engomando seus tapetes. Lembro do cheiro da sua casa. Lembro do seu abraço apertado. Lembro de sua voz dizendo “Põe uma blusa, eu empresto”, “Toma cuidado”, “Vai com Deus, filha”.

Essas são algumas das lembranças mais preciosas que tenho e eu não seria quem sou sem elas. Saber que nunca mais vou ter isso, apesar dos olhos dela ainda abrirem todas as manhãs, aperta, quase esmaga o coração.

O peso que ela carrega

O refresco e a simplicidade da infância duraram pouco pra ela. Sentiu o peso das perdas e exigências logo cedo. Cedo demais. Passou a querer melhorar a si mesma. Feria seu corpo, feria sua alma. Arrastava-se pela vida. Com seu olhos delicados, enxergava a beleza do mundo como poucos, mas essa mesma beleza a comovia de tal maneira, que a diminuía diante de si mesma, a machucava.

“Nunca fui feliz. Nunca gostei realmente da minha vida”. Ouvi isso da boca dela, essa mulher, que basta conhecer um pouco para se sentir encantado. Poucos a entendem, porém. Sempre teve tudo o que muitos queriam, e suas perdas não foram maiores que a dos outros. Poucos entendem que ela já veio para o mundo com uma alma dolorida. Uma alma que sente sem descanso. Passou os anos da adolescência assim, submersa. Seus ombros não suportavam, tudo era pesado, tudo era sentido. Se debatia, sentia seus pulmões queimarem, entendia o braço em direção à superfície.

Quando foi estudar longe de casa, sentiu o gosto da independência juvenil. Essa liberdade acariciou seus cabelos, beijou-lhe o rosto, a embalou em um abraço. Imergiu, respirou, viveu. Até que sentiu garras pegando-lhe delicadamente os pés e, de repente, puxando-lhe bruscamente até o fundo de seu familiar e sufocante poço.

Cresceu, construiu para si uma carreira pela qual pouco se apaixonou. Vivenciou momentos de garbosa leveza, saboreou os raros dias em que a paz decidiu visitá-la. Passou a entender mais, sobre si, e sobre todo o resto. Deixou de temer os recomeços. Mas não, não aceitou. Ainda deseja para si um peito menos angustiado.
Mas, o que me motiva a organizar essas palavras, tão cuidadosamente, é a contradição desenhada quando se está próximo dela. Apesar de toda dor que já sentiu, sua energia é deleitável, sua conversa aconchegante. E seu olhar é nu. Olhando para os olhos azuis dela, a sensação é de estar olhando para uma galáxia. São tão azuis, que possuem vários tons da cor. São olhos pincelados! Seu corpo é delicado, seus gostos são refinados. E ela entendeu o propósito dos abraços, entendeu que deve transmitir o bem.

Ela sente o obscuro, mas enxerga a beleza. Ela está exausta, mas suas palavras continuam gentis. Ela é a definição de extraordinário e, nesse mundo tirânico, continua só.