Madrugada, introspecção e escrita.

Choveu durante a tarde. Caí no sono enquanto assistia à algum filme e acordei com um temporal. Passei o dia com meu irmão. Conversei com minha avó. Ontem jantei com quatro mulheres inspiradoras da minha família. Estou fazendo uma maratona de filmes pro Oscar. A trilha sonora de La la land é maravilhosa. O tumblr está cheio de coisas reconfortantes. Tenho começado a entender a mágica da arte de Van Gogh – e me apaixonar por cada uma das suas pinturas me traz, todos os dias, uma vibração inédita.

São dessas pequenas coisas que minha mente tem tirado conforto e por isso citá-las me pareceu uma boa maneira de começar esse texto. Agora testemunhem outra tentativa minha de, estando em mais uma das minhas malditas crises, escrever mais, colocar sentimentos nas palavras e concretizar os planos que faço pra mim mesma, nem que seja começando por algo socialmente inútil e auto-centrado como manter o blog.tumblr_obv8mnevvc1qhairto1_400

Acredito que é importante falar um pouco sobre as madrugadas. As madrugadas me confortam: eu estou sozinha, tenho silêncio, posso baixar minha guarda. E as madrugadas me perturbam, pois passar por ela de olhos fechados tem se tornado impossível. Já estudei o teto do meu quarto mais do que gostaria. Meus sonhos gritam dentro da minha cabeça nessa hora do dia, eu quero mais, mas não sei ao certo o que, e eu encaro essa versão distorcida de mim mesma que me tornei. Eu espero pela madrugada e a temo.

Há algo que com certeza está associado à minha relação com o momento mais silencioso do dia: a introspecção. Ela sempre esteve aqui, sempre gostei de ter um momento reservado pra calmaria. Há meses, tenho recusado frequentemente situações sociais que sempre gostei, pelo simples fato de precisar ficar sozinha. Precisar pensar, precisar respirar. Eu sei quando devo me respeitar, mas tenho sido tomada pela sensação de distância em relação às pessoas e pela ansiedade quando estou prestes a encontrá-las. Ando esfomeada de novas experiências, de movimento e de crescimento prático e intelectual, mas alcançar tudo isso me parece tão difícil como atravessar o Mar Vermelho.

E, por fim, volto a falar sobre a escrita. Já fui alguém que sonhava em fazer arte, respirá-la, mas acabei esquecendo disso. Existe alguma parte de mim que ficou pra trás e talvez a escrita me ajude a recuperá-la. Recuperar aspiração, (re)descobrir paixões e adquirir disciplina. Basicamente, condicionar-me a ser menos desgraçada da cabeça e suportar meu coração quase sempre pesado.

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  • textinho escrito ontem (adivinhem, de madrugada). ajeitei hoje e não quis mudar o tempo, assim tá mais sincero. é isso – eu não sei terminar post.

Música e vídeo – favoritos do momento

Faz algum tempo que não falo sobre minhas músicas favoritas do momento por aqui – se bem que não tenho muitas novidades nesse começo de ano. De qualquer jeito, decidi compartilhar não só as músicas, mas também alguns dos meus vídeos favoritos, todos cheios daquela boa e velha melancolia que eu amo. Aqui vai:

Acredito que essa é a terceira vez que falo do Troye por aqui, talvez a quarta, mas meu amor por ele realmente não se esgota. Seu novo vídeo – que foi lançado, não por mera coincidência, um dia antes da inauguração do governo do novo presidente estadunidense – é lindo demais e eu devo ser responsável por metade das suas visualizações. Heaven é uma das minhas músicas favoritas e à cada dia ela significa mais pra mim, e acredito que sua mensagem também é muito importante nesse mundo que parece só ficar mais bagunçado.

Belle and Sebastian é a banda que mais ouvi nos últimos meses. Fiquei muito feliz por finalmente conhecer seus álbuns mais a fundo. Quanto mais descubro, mais encantada eu fico.

A Dodie é maravilhosa, como pessoa e cantando. Nesse vídeo, que assisto todos os dias, ela faz um tributo ao ano de 2016 – ha ha ha. Também amo esse vídeo no qual canta a música tema de La La Land (❤️).

Hozier está, sem dúvida, entre os dez melhores artistas do momento. Compor, tocar e cantar como ele é pra poucos – e seus clipes ainda são caprichadíssimos. Você provavelmente conhece ele por Take me to church, mas eu me apaixonei depois de ouvir Someone New:

Como não consegui me decidir entre os dois vídeos, assista também Cherry Wine, do mesmo ❤️:

E, por fim, Slip, com essa coreografia maravilhosa:

 

O que Sherlock deixa pra mim

Quero começar já deixando claro que esse texto é completamente construído em visões bastante pessoais, não é uma resenha crítica construída em cima de grande conhecimento. Acho que demorei um pouco pra postar por estar procurando escrever algo rebuscado quando, na verdade, espero apenas poder falar sobre algo que gosto muito – como sempre foi nesse bloguezinho.

Enfim, vamos lá. Então, Sherlock: essa série que desde seu início dividiu opiniões por todo o mundo – e certamente por toda a internet. Enquanto muitos a consideram uma série superestimada, ela também é uma das mais famosas da história da televisão britânica. Pessoalmente, ela se tornou bem rápido minha favorita. Foi a primeira a ultrapassar Friends no meu top top pessoal.

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A caracterização de Sherlock Holmes e John Watson resultaram em dois dos personagens que mais amo nessa vida. Ambos são viciados em adrenalina, tendo a profissão investigativa como uma necessidade, o que os torna imperfeitos e um tanto quanto estranhos – ingredientes chave pra eu amar um personagem. A relação que constroem, de mútua compreensão e a maneira como um é capaz de quebrar as barreiras em relação ao outro, é absolutamente lindo de ser assistido.

Obviamente, isso se deve ao trabalho genial de Sir Arthur Conan Doyle, que tem sido admirado, estudado e adaptado incansavelmente ao longo de 130 anos. Mas a questão é que a série da BBC, criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, faz jus ao legado dessa dupla. Com roteiros construídos maravilhosamente, uma produção impecável, diálogos que fluem como música e – ahhhh – os atores! Benedict Cumberbatch e Martin Freeman – realmente acredito que metade do sucesso da série se deu da escolha certeira dos dois como os protagonistas.

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Na minha perspectiva – reforçando que isso é só uma opinião – as primeiras três temporadas beiram à absoluta perfeição, mas já o primeiro episódio da quarta temporada (que estreou no primeiro dia de 2017) foi um pouco decepcionante, alguns clichês apareceram e o ritmo não foi o mesmo. Porém – plot twist! – o episódio seguinte foi brilhante, a elegância do roteiro e da direção foram recuperados e tudo parecia estar certo novamente. Então o finale da temporada aconteceu e um verdadeiro apocalipse se instalou no fandom.

The Final Problem decepcionou à maioria dos fãs, em parte por Johnlock não ter se concretizado – ou seja, John e Sherlock não se revelaram como um casal – algo que eu acho sim que deveria ter acontecido, mas esse não foi realmente o problema. A trama do episódio gira em torno de uma revelação importante sobre o passado dos personagens, algo poderoso e doloroso, que os coloca no limite de sua resistência emocional. A ideia, para mim, era maravilhosamente sombria e prometia um grande episódio, porém, o roteiro final conteve tantas pontas soltas que chega a ser exaustivo conta-las, e são vários os momentos em que os personagens parecem descaracterizados e o ritmo da série mais uma vez balança. Não é que tudo passou a ser ruim, mas o nível das temporadas anteriores é tão alto, que defeitos como esses acabaram sendo muito decepcionantes para os fãs mais dedicados.

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Mas eu quero falar sobre o que eu amei nessa temporada: Sherlock. Ele mesmo. Aquele homem arrogante do início, que, em suas próprias palavras, era melhor sozinho. Sherlock cresceu nessa temporada ainda mais do que nas anteriores, enfrentando obstáculos dignos de season finale em cada um dos três episódios. Sua relação com John, Molly e sua família é posta a prova, quando ele se sacrifica inúmeras vezes para assegurar o bem-estar de cada um. O mesmo acontece em relação a si mesmo, quando falha em manter seu voto com John e Mary, sucumbe ao seu vício em drogas, duvida de sua capacidade e, como já disse, é assombrado por um segredo do passado.

Sua sanidade é posta a prova durante toda a temporada e, confesso, a cena final foi linda e emocionante (com a trilha sonora mais caprichada de toda a série). Tudo isso, interpretado maravilhosamente por Benedict Cumberbatch (mozão), que coloca significado em cada pequeno momento desse personagem que parece conhecer e entender tão bem.

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Então, se essa for mesmo a última temporada (o que espero arduamente que não seja), o que ficará dessa série para mim? Que quem você é, importa. Apesar do contrário ter sido dito em uma infeliz escolha de palavras no “discurso final” da série, as quatro temporadas mostraram sentimento e humanidade por trás da lenda de Sherlock Holmes e Dr. Watson e assim ela permanecerá na minha vida.

Acredite, eu poderia falar muito mais sobre esse assunto, mas acho que já foi o suficiente hehehe. Meus dedos estão cruzados para que um dia eu volte a falar de Sherlock, com episódio novos. De qualquer maneira, se acontecer, levará alguns anos.

Sobre sonhos, ansiedade e paciência.

Esse texto é sobre sonhos, ansiedade, dor e paciência. Todas essas coisas se confrontaram dentro de mim de maneira especialmente cabulosa em 2016 e é preciso organizá-las.

Wanderlust, que remete à vontade de viajar, é talvez o sentimento mais presente em minha vida. Botar meus pézinhos em solo europeu é meu maior sonho, sem dúvida alguma. É algo simples para muitos, tenho certeza de que alguns de vocês lendo talvez já tenham o feito. Mas eu vou precisar fazer por mim mesma e isso me assusta, já que muitas vezes duvido que serei capaz.

Sempre sofri com a minha falta de paciência. Não no meu dia-a-dia, mas em relação ao futuro. Pois esse meu sonho está lá à frente, e não consigo enxergar como vou chegar até ele. Como quase todos na minha idade, estou passando por um período de falta de rumo. Não sei pra onde estou indo, nunca sei ao certo o que estou fazendo. E é doloroso admitir a terrível verdade: a quantidade de conquistas práticas nesse meu primeiro ano depois do ensino médio igualam-se a zero. Esse fato me aterrorizou muito, até que, há pouco menos de dois meses, pipocou na minha mente à seguinte conclusão: a única maneira de superar algo é “ir por dentro”. Não adianta querer contornar ou passar por cima de qualquer dor que você esteja sentindo. E minha dor era minha falta de motivação, meu medo de encarar a vida de frente.

Comecei escrevendo. Cutuquei certas feridas passadas, derramei seu sangue no papel. Derramei suas lágrimas também, mas essas foram literais. Escrevi como escrevo agora, mas aqueles textos ficam só pra mim. Depois conversei com pessoas próximas. Pouco a pouco o peso foi deixando meus ombros.

E descobri que sou jovem e tenho tempo. Descobri que a vida deve se modelar a mim e não devo sofrer por não alcançar algo que me fizeram acreditar como sendo o ideal.

Meu sonho continua lá na frente, inalcançável pro momento. Mas descubro, pouco a pouco, pequenos prazeres e projetos, pequenas belezas, pequenas coisas que me trazem paz. Não se engane, a falta de rumo continua por aqui, assim como os momentos de choro espontâneo. Mas a paz está mais presente, quase que milagrosamente. E minha certeza de que o mundo pode ser lindo também. Até mesmo minha fé em mim mesma parece não estar mais tão enterrada como costumava.

Mas talvez seja só o Natal chegando.

Não Me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro

Algumas histórias nos marcam mais profundamente do que outras e a gente sempre quer revisitá-las. Passamos a entender seus personagens e deciframos seus diferentes significados. Uma das histórias que mais me marcaram na vida é Não Me Abandone Jamais. O livro é de 2005, escrito por Kazuo Ishiguro, mas eu só entrei em contato com a história em 2010, com sua adaptação para o cinema. O filme se tornou quase que imediatamente um dos meus favoritos, assisti muitas e muitas vezes, mas só fui ter o livro em mãos recentemente. 

Em uma realidade alternativa, clones foram desenvolvidos pela ciência, com objetivo de doarem seus órgãos vitais para humanos e, na metade do século XX, a expectativa de vida humana chega a ultrapassar 100 anos. Apesar de ser claramente uma ficção científica, todo o ambiente da história faz com que quase esqueçamos disso. A forma de criação desses clones não é especificada, mas sabemos que eles crescem e se desenvolvem como os demais seres, mas são isolados em internatos. 

Acompanhamos, então, a história de Kathy, Ruth e Tommy, três desses clones, que vivem no internato inglês Hailsham, e quando descobrem, no início da adolescência, seu doloroso destino. Para poucos naquele mundo parece ocorrer que aqueles seres sejam também humanos, e poucos se comovem que tenham de abandonar a vida por volta dos 30 anos, após 3 ou 4 doações. A história, então, nos apresenta questionamentos, como a definição de ser humano, de alma, de dever.

Outro fato que gosto muito dessa história é que Hailsham em si era um lugar de maravilhas e mistérios, ao mesmo tempo. Quando os personagens deixam a escola, já no fim da adolescência, passam a descobrir que os demais internatos pouco tinham qualquer preocupação com seus estudantes, nunca sentindo a necessidade de inspirá-los com belezas da humanidade, como a arte, por exemplo.

É claro que o livro é bem mais completo, e me apaixonei ainda mais pela história. Mas o filme, dirigido por Mark Romanek, continua sendo uma ótima adaptação, na minha opinião. Além de sua fidelidade com a história, os cenários escolhidos e a fotografia são lindos, e passam a melancolia e a sensibilidade da história. 

Espero que tenham se interessado pela história 🙂

10 anos de Taylor

Só pra não deixar essa data passar em branco: hoje, dia 24 de outubro, é o aniversário de dez anos do primeiro álbum da Taylor Swift. Eu lembro a primeira vez que vi a Taylor, no início de 2009, cantando Love Story, de vestido e na torre de um castelo. E durante os quase oito anos que decorrerem de lá pra cá, a minha admiração por ela só cresceu.

O interessante é que ela sobreviveu entre minhas favoritas na minha época mais rock clássico, mais punk rock, mais música alternativa. Pôde-se dizer que ela foi um grande guilty pleasure na minha vida, mas bora abraçar tudo o que nos faz bem! E acontece que, sim, tem alguma coisa nas músicas dela que me fazem um bem danado!

Hoje, a Taylor tem cinco álbuns de estúdio: o aniversariante, Taylor Swift, o álbum que a revelou para o grande público (e lhe rendeu o Grammy de Álbum do Ano), Fearless, os meus dois favoritos, Speak Now e Red, e o seu maior sucesso até hoje, 1989.

Em todos esses anos a Taylor cresceu pra caramba, de maneira que os antigos fãs com certeza não haviam previsto. Muita coisa rolou, algumas não tão legais, mas ela continua aí: mais firme que nunca. A energia boa e pura dela, assim como a paixão que transmite em suas letras, são coisas que espero que nunca mudem. Mas muitas coisas vão mudar, sim, e o fato de nunca continuar a mesma é uma das melhores coisas sobre ela!

Aqui vão três dos meus vídeos favoritos, que mostram um lado da Taylor menos divulgado por aí:

Will Darbyshire ♡

Passando por aqui pra deixar uma indicação direto do fundo do meu coração pra vocês. O site é YouTube, e o canal é o do Will Darbyshire. Ali a gente encontra arte, aconchego e abraço em forma de vídeos. Esses aqui são alguns dos meus favoritos – já assisti cada um deles umas 29860 vezes.

O Will também acabou de lançar um livro com uma proposta MARAVILHOSA: ele liberou, ao longo de um ano, várias perguntas sobre o amor para seus seguidores e juntou as melhores respostas em um livro chamado This Modern Love. Não vejo a hora de ter a oportunidade de ler esse livro, cada coisa linda que deve ter saído disso!

E é isso! Espero que confiram os videozinhos e, se gostarem, deixem nos comentários, é sempre bom saber que alguém compartilha dos mesmo sentimentos que nós 🙂