Vida

e prometo a mim mesma continuar tentando.

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Hoje em dia é bem difícil de encontrar alguém que não sofra de ansiedade, então feliz ou infelizmente a internet tá cheinha de relatos individuais sobre esse problema. Mas resolvi falar um pouquinho sobre minha próprias experiências, já que o dia tá sendo meio difícil.

E acho que um bom jeito de começar é pensado sobre a frase que acabei de escrever: “o dia tá sendo meio difícil”. O meio tá aí por um motivo. Pois o dia de hoje foi bom. Foi um dia calmo. Minha cantora favorita anunciou um álbum novo, eu conversei bastante com a minha melhor amiga, ouvi músicas, vi muitas artes bonitas no tumblr, me inspirei. Seria um dia perfeito, mas que foi difícil, pois uma vozinha que vinha me acompanhando há dias e crescendo dentro de mim aos poucos se fez mais presente. Uma voz que diz que algo está errado, que algo ruim vai acontecer. Uma voz que me faz sentir culpada o tempo todo, sem que eu saiba o porquê. Ela fica no fundo da mente e vai crescendo aos poucos, até que se torna presente fisicamente. O nosso peito fica literalmente pesado, a garganta se fecha até pra engolir em seco. A gente não sabe se quer chorar, se quer fugir pra outro continente e começa a questionar tudo, pois essa vozinha tira o brilho de tudo que a gente mais ama.

Eu não me lembro quando na minha vida comecei a me sentir assim. Realmente não me lembro. Desde pequena sinto que tô fazendo algo de errado sempre, mas acho que isso vem com as descobertas e incertezas naturais da infância mesmo. Mas na pré-adolescência, quando não tinha amigos na escola nova, perdi a vontade de estudar e comecei a passar todo o tempo que conseguia enterrada em livros e filmes, a sensação de angústia virou minha companheira constante. Uma vozinha dizendo que eu deveria me esforçar em atingir as metas que alguém (ainda não tenho certeza quem ou com quais fundamentos) havia inventado. Uma vozinha me dizendo que decepcionaria o mundo e que meus sonhos estavam ficando cada vez mais longes de mim. Que eu precisava me mover, ser extrovertida e uma aluna melhor.

Angústia. Angústia. Angústia. Um peso no meio do peito (sinto-o agora, enquanto escrevo).

E por muito tempo eu não sabia de onde isso vinha ou por que eu sentia isso. Eu achava que o termo ansiedade era só pra quando a gente queria que uma festa de aniversário chegasse logo ou algo assim. E um dia, no começo do meu terceiro ano do colegial, a moça da biblioteca da minha escola (eu realmente passava muito tempo na biblioteca) me mostrou partes de um livro que falava sobre a ansiedade, que dizia que essa era a doença do século. E pouco a pouco eu fui entendo o lado químico daquela velha angústia dentro de mim, e vendo que muita gente, bem mais do que eu imaginava, sentia a mesma coisa dentro deles.

E entender o que é a ansiedade é importante, eu acho, pois todas às vezes que eu não conseguir respirar sem saber o porquê, eu posso tentar (pelo menos tentar) explicar a mim mesma que não se trata de um pressentimento ou algo assim, mas é o meu próprio cérebro me enganando, meus próprios pensamentos caindo em um truque criado por eles mesmos.

Acho que cada um vai encontrar um jeito de se curar (respirar fundo e contar até dez é um método popular, e ajuda de verdade) e cada dia vamos descobrindo confortos novos dentro de nós mesmos, e ciclos de curas são reiniciados.

Eu não sei se um dia vou deixar de ter uma cabeça confusa e ansiosa. No fim, ser uma pessoa plena provavelmente ficará apenas no projeto. Hoje, tenho a autopreservação, autodescobrimento e a escrita como grandes confortos. E prometo a mim mesma continuar tentando.

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A estrangeira

A moça da padaria, com olhar distraído, colocou três pães no saco de papel e me entregou. Mas eu havia pedido apenas dois. Ou será que pedi três, mesmo sem querer? Talvez a distraída seja eu. De qualquer jeito, não pude deixar de simpatizar com ela, que pode estar, assim como eu, com a cabeça cheia demais – mas alguns diriam vazia demais. Bom, pouco importa. Saio da padaria e sou contaminada pelo mesmo olhar distante que detectei na atendente. Meus olhos desfocam da calçada, meus pés me levam até minha rua, daquela forma automática como os atos diários acontecem – sem que tomemos real consciência deles.

Minha rua, a 1, é a mais arborizada da cidade. Os galhos das imensas árvores formam, acima dos paralelepípedos, um grande arco verde. Houve uma época em que meu maior desejo era poder morar em um lugar assim, mas sei que hoje não o aproveito o suficiente. A cidade, a alta velocidade sempre me cansou mas, dentro de sua inércia, sou acostumada, no fim do dia, a correr para o plácido conforto que encontro dentro de casa. Forço-me a desacelerar o passo, respiro fundo e apuro os ouvidos para o farfalhar das folhas das árvores. Nesse momento, passo em frente a velha biblioteca municipal. Percebo que, mesmo há tantos anos morando aqui, esse foi o único ponto da cidade com o qual realmente me familiarizei.

Mas gosto da sensação de me sentir uma estrangeira. Trouxe muitos dos meus hábitos de minha cidade natal – os cafés passados, as longas horas de leitura, a quase constante solidão – prático-os de forma quase religiosa. Tudo o que aprendi em casa continua comigo, mas os amo ainda mais agora que não preciso sentir o ar caseiro, que durante toda a vida tanto me atordoou. Fugi e trouxe comigo uma bagagem inesperada, na qual só fui capaz de adicionar algumas milhares de páginas lidas. Vejo o que sou. Uma falsa aventureira, uma senhora enganadora e destruidora dos próprios sonhos.

A lembrança da fervorosa escritora não publicada que já fui, de repente, surge diante de mim como uma sombra, como se houvesse aproveitado um momento de distração, arrastado-se desde o fundo de minha mente onde há tempos encontrava-se aprisionada, ansiando por ser.

O vento fica mais potente e mais gelado. Balança os galhos das árvores e o farfalhar de suas milhares de pequenas folhas mistura-se ao canto pujante dos pássaros no fim de tarde, criando uma orquestra que embala a cena de meu caminhar, em um ritmo quase teatral. Era sobre isso. Sobre a sensação de nostalgia e de descoberta, que nos invade sem pedir licença. Sobre ínfimos momentos de vida. Inexplicáveis, raros. Os quais estamos todos tão famintos por. Era para cada um desses sentimentos e sensações que uma versão mais jovem de mim esperava encontrar palavras para descrever.

Chego em casa e decido escrever. Escrevo esse texto que lês. A narrativa encontra o presente e encontro-me ciente do agora. Ciente de cada respiração, de cada movimento diminuto. Me pergunto se me encontro em combustão, se irei finalmente encontrar as respostas. Ou se este é apenas um rascunho a mais para a pilha. Talvez eu possa fazer deste o exemplar definitivo de meu fracasso em expressar o que carrego de mim, de organizar minhas infinitas horas de reflexões pleonásticas.

A folha e o lápis me encaram com olhos questionadores. Se perguntam quem me tornei neste período de ausência. “Teremos a resposta? Continuará ela a escrever?” Indagam. “Ou ela engana a si mesma? Talvez abandone-nos mais um vez”.

Quem serei? Me deixarei levar pela tranquilidade do normal? Serei como a senhora que mora ao lado, que cuida das plantas e dos netos? Ou perderei minha razão procurando minha mente, como fez Clarice?

Perderei minha mente procurando minha razão?

deixa ela entrar

É tanto tempo que passamos nos arrastando por aí, tropeçando em nós mesmos, errando as esquinas que viramos. Já acordando com a mente enebulada e exausta. Procurando beleza em tudo e só conseguindo encontrar um monte de sentimento oco.

É tempo, é muito. Nunca acaba e a gente já tá mergulhado naquele lugar abafado, de eco, de vazio.

Então chega um dia em que nos surpreendemos com algo pequeno. Que o amor próprio dá as caras. Que algumas pessoas a nossa volta decidem cuidar. Algumas coisas mudam e outras se mostram mais fiéis do que nunca. Seu interior termina as obras que duraram tantos anos e causaram tanto distúrbio. A vida se alinha. A mente e o mundo conversam e entram em um acordo. A ansiedade não tem mais tanta força. As insatisfações ficam pequenas diante das coisas que lhe excitam, as vontades são mais poderosas e estar no mundo de repente vale a pena. A gente percebe que anda respirando um ar mais leve.

É estranho, mas parece que a felicidade tá querendo te conhecer melhor. Ela é aquela amiga de infância que mudou pra longe quando você cresceu um pouco mais e é estranho que ela queira entrar outra vez em sua vida, assim, do nada. Seus anos construindo uma mente cética não lhe deixam acreditar nessa relação tão pura. Ela chegou, mas com certeza planeja ir embora logo, lhe passando a perna. Ela chegou, mas vai ter preço e trazer consequências. É melhor não se apegar, assim a decepção vai ser menor.

A vida nos deixa despreparados pra quando a felicidade aparece. Os anos de sufoco fazem com que a gente duvide da alegria e fique desconfiado diante de muitos dias bons, de muitas conquistas. Parece justo? Acho que já chega de ficar tão ansioso toda vez que tudo parece bem e sair criando motivo pra se preocupar.

A dor precisa ser sentida, precisa mesmo, todinha. Mas quando a vida dar uma clareada, acredite, você merece. Deixa a felicidade entrar. Mesmo sabendo que amanhã ela pode já não estar mais aqui, trate ela bem. Convida pra passar a noite, pra ficar quanto tempo precisar e pra voltar quando quiser. Fica mais, mas promete que não vai forçar a barra. Fica e deixa eu aproveitar você.

É difícil de acreditar que a vida vai ser tão boa, mas, de tempos em tempos, ela simplesmente é.

a place within myself

Existe um cenário localizado em algum lugar do meu futuro, no qual penso bastante: eu tenho um trabalho estável, em uma editora, talvez. Não é a rotina de trabalho mais eletrizante do mundo, mas nele eu utilizo um pouco do meu conhecimento adquirido na graduação e um pouco de criatividade. Não sou rica, mas tenho o suficiente pra morar sozinha, provavelmente em um apartamento e consigo pagar minha contas sem preocupação. Tenho dois gatos (quem sabe três?). Alguns vasos estão pendurados perto da janela e há várias suculentas em cantinhos da casa. Minhas prateleiras são abarrotadas de livros. Eu leio bastante. Cozinho pra mim mesma e já larguei a carne de vez. A cada ano viajo por duas semanas, quem sabe três. Talvez por um mês completo. Essas viagens me renovam, me emocionam, me trazem sensações inéditas. Venho pra casa e me sinto acolhida no ambiente que eu mesma criei, limpo e organizado à minha maneira. Chega o dia em que já me sinto confortável em minha própria pele e as manhãs deixam de ser um peso. O amanhã deixa de ser um peso.

Talvez pereça pequeno pra alguns que aspiram por fama ou riqueza. Ou, talvez, para aqueles que já passaram pela vida batalhando, esse tipo de paz e liberdade pareça uma ilusão. Mas, não sei, eu penso bastante nesse futuro e nesse lugar. Pode também parecer uma melancolia do tipo no alarms and no surprises, talvez seja, mas espero um dia ter tudo isso. Ser mais centrada, mas ter espaço pra quando precisar viver minhas crises – e continuar na longa estrada do auto conhecimento.

Por enquanto, querer continuar por aqui na expectativa de ler mais um livro bom, adicionar mais um filme à lista de favoritos, sentir a brisa noturna mais uma vez, mais uma gargalhada. Continuar por aqui pelas expectativas e pelas pequenas coisas. Sobrevivemos dessa forma e, por algum tempo, tudo fica bem.

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inspiração: “this is what my generation is given, this is how low our standards for happiness have to be. a humble existence, a small piece of the world for ourselves, and comfortable stability are just as out of reach for some of us as fame (…)” (x)

Madrugada, introspecção e escrita.

Choveu durante a tarde. Caí no sono enquanto assistia à algum filme e acordei com um temporal. Passei o dia com meu irmão. Conversei com minha avó. Ontem jantei com quatro mulheres inspiradoras da minha família. Estou fazendo uma maratona de filmes pro Oscar. A trilha sonora de La la land é maravilhosa. O tumblr está cheio de coisas reconfortantes. Tenho começado a entender a mágica da arte de Van Gogh – e me apaixonar por cada uma das suas pinturas me traz, todos os dias, uma vibração inédita.

São dessas pequenas coisas que minha mente tem tirado conforto e por isso citá-las me pareceu uma boa maneira de começar esse texto. Agora testemunhem outra tentativa minha de, estando em mais uma das minhas malditas crises, escrever mais, colocar sentimentos nas palavras e concretizar os planos que faço pra mim mesma, nem que seja começando por algo socialmente inútil e auto-centrado como manter o blog.tumblr_obv8mnevvc1qhairto1_400

Acredito que é importante falar um pouco sobre as madrugadas. As madrugadas me confortam: eu estou sozinha, tenho silêncio, posso baixar minha guarda. E as madrugadas me perturbam, pois passar por ela de olhos fechados tem se tornado impossível. Já estudei o teto do meu quarto mais do que gostaria. Meus sonhos gritam dentro da minha cabeça nessa hora do dia, eu quero mais, mas não sei ao certo o que, e eu encaro essa versão distorcida de mim mesma que me tornei. Eu espero pela madrugada e a temo.

Há algo que com certeza está associado à minha relação com o momento mais silencioso do dia: a introspecção. Ela sempre esteve aqui, sempre gostei de ter um momento reservado pra calmaria. Há meses, tenho recusado frequentemente situações sociais que sempre gostei, pelo simples fato de precisar ficar sozinha. Precisar pensar, precisar respirar. Eu sei quando devo me respeitar, mas tenho sido tomada pela sensação de distância em relação às pessoas e pela ansiedade quando estou prestes a encontrá-las. Ando esfomeada de novas experiências, de movimento e de crescimento prático e intelectual, mas alcançar tudo isso me parece tão difícil como atravessar o Mar Vermelho.

E, por fim, volto a falar sobre a escrita. Já fui alguém que sonhava em fazer arte, respirá-la, mas acabei esquecendo disso. Existe alguma parte de mim que ficou pra trás e talvez a escrita me ajude a recuperá-la. Recuperar aspiração, (re)descobrir paixões e adquirir disciplina. Basicamente, condicionar-me a ser menos desgraçada da cabeça e suportar meu coração quase sempre pesado.

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  • textinho escrito ontem (adivinhem, de madrugada). ajeitei hoje e não quis mudar o tempo, assim tá mais sincero. é isso – eu não sei terminar post.

Sobre sonhos, ansiedade e paciência.

Esse texto é sobre sonhos, ansiedade, dor e paciência. Todas essas coisas se confrontaram dentro de mim de maneira especialmente cabulosa em 2016 e é preciso organizá-las.

Wanderlust, que remete à vontade de viajar, é talvez o sentimento mais presente em minha vida. Botar meus pézinhos em solo europeu é meu maior sonho, sem dúvida alguma. É algo simples para muitos, tenho certeza de que alguns de vocês lendo talvez já tenham o feito. Mas eu vou precisar fazer por mim mesma e isso me assusta, já que muitas vezes duvido que serei capaz.

Sempre sofri com a minha falta de paciência. Não no meu dia-a-dia, mas em relação ao futuro. Pois esse meu sonho está lá à frente, e não consigo enxergar como vou chegar até ele. Como quase todos na minha idade, estou passando por um período de falta de rumo. Não sei pra onde estou indo, nunca sei ao certo o que estou fazendo. E é doloroso admitir a terrível verdade: a quantidade de conquistas práticas nesse meu primeiro ano depois do ensino médio igualam-se a zero. Esse fato me aterrorizou muito, até que, há pouco menos de dois meses, pipocou na minha mente à seguinte conclusão: a única maneira de superar algo é “ir por dentro”. Não adianta querer contornar ou passar por cima de qualquer dor que você esteja sentindo. E minha dor era minha falta de motivação, meu medo de encarar a vida de frente.

Comecei escrevendo. Cutuquei certas feridas passadas, derramei seu sangue no papel. Derramei suas lágrimas também, mas essas foram literais. Escrevi como escrevo agora, mas aqueles textos ficam só pra mim. Depois conversei com pessoas próximas. Pouco a pouco o peso foi deixando meus ombros.

E descobri que sou jovem e tenho tempo. Descobri que a vida deve se modelar a mim e não devo sofrer por não alcançar algo que me fizeram acreditar como sendo o ideal.

Meu sonho continua lá na frente, inalcançável pro momento. Mas descubro, pouco a pouco, pequenos prazeres e projetos, pequenas belezas, pequenas coisas que me trazem paz. Não se engane, a falta de rumo continua por aqui, assim como os momentos de choro espontâneo. Mas a paz está mais presente, quase que milagrosamente. E minha certeza de que o mundo pode ser lindo também. Até mesmo minha fé em mim mesma parece não estar mais tão enterrada como costumava.

Mas talvez seja só o Natal chegando.

Tudo bem se você anda só sobrevivendo.

“I wish I knew what to do with my life, what to do with my heart… I do nothing all day, boredom settles in, I look at the sky so I get to feel even smaller than I already feel and my mind keeps poisoning itself uselessly.” – Sylvia Plath

“Tudo bem se tudo o que você fez hoje foi sobreviver”. Esses dias uma amiga me mandou essa frase e senti uma gratidão enorme. Gratidão, primeiramente, por ter alguém que me compreende tão bem quando quase nada foi dito. E também porque essas palavras me abraçaram. Sim, é exatamente assim que me sinto há tempos: sobrevivendo.

Porque não ser quem a gente deseja ser é doloroso, e não conseguir trabalhar em direção a isso dói mais ainda. Porque, apesar da quantidade de frases motivacionais que a gente lê por aí, apesar dos exemplos de pessoas que venceram, apesar do “yes, you can”, nos falta força pra ir atrás.

A nossa ansiedade pode vir do simples fato de estarmos vivos. Basta acordar, basta levantar pra sentir os chumbos nos pés. Basta um telefonema para o coração acelerar. Basta uma espiada no futuro pro peito apertar. Encarar a vida e o futuro parece ser o ato mais impossível do mundo, apesar de ser nosso maior desejo, pois é lá que nossos sonhos estão.

No fim do dia, a gente se sente uma bagunça, a gente quer poder se encolher num canto com um fone de ouvido pra poder esquecer. A gente sente medo de decepcionar o mundo, porque já fizemos isso com nós mesmos há tempos. A gente até acredita que queremos acabar com a vida, quando tudo o que a gente deseja é começar a vivê-la de verdade.

E apesar de todo esse relato ter ficado bem mais sombrio do que pretendia ser, a gente volta para o “tudo bem” do começo do texto. Pois sim, pode não parecer, mas tudo bem. Tudo bem porque o amanhã tá aí pra isso. O recomeço não é apenas depois de uma tempestade, mas pode ser depois de um mormaço ou um frio congelante, depois de tempos em que algo lhe impediu de se mexer por fora. Dizem que o universo gosta daqueles que acreditam e que, para corações bons, um caminho de luz tá reservado. O mesmo mundo que destrói nossas mentes nos reserva coisas lindas, a gente só precisar acreditar até ter força o suficiente para conquistá-las.