Cinema

Wes Anderson e poster art

Quase todo mundo que gosta de cinema já ouviu e leu bastante sobre Wes Anderson, mas eu queria apenas deixar registrado que acabo de terminar a cinematografia desse artista incrível e, quem sabe, apresentar o trabalho dele pra alguém que ainda não o conheça. Cada um dos 8 filmes escritos e dirigidos por Wes valem a pena e formam um universo único dentro do cinema. Sua principal característica sendo uma fotografia caprichadíssima, que vai evoluindo à cada filme, até chegar à perfeição estética que é O Grande Hotel Budapeste. Além desse, meus favoritos são Os Excêntricos Tenenbaums e A Viagem para Darjeeling mas, de verdade, todos são incríveis!

Bottle Rocket (1996) e Rushmore (1998)

The Royal Tenenbaums (2001) e The Life Aquatic with Steve Zissou (2004)

The Darjeeling Limited (2007) e Fantastic Mr. Fox (2009)

Moonrise Kingdom (2012) e The Grand Budapest Hotel (2014)

Pra ilustrar esse post eu decidi escolher alguns posters alternativos criados por fãs por aí, em vez das imagens mais simples que geralmente uso. São vários trabalhos lindos!

ps: A quantidade de tempo que gastei escolhendo essas imagens e organizando-as chegou a ser trágica! Talvez nem pareça, mas tenho um certo perfeccionismo com a aparência do blog, por isso tento deixar tudo o mais simples possível. Tantas opções de cores e texturas pra serem combinadas me deixaram MUITO atrapalhada. Enfim, toc.

Favoritos Oscar 2017

Mais uma temporada de premiações acabando e mais um caminhão de filmes assistidos! Fiz vários posts sobre praticamente todos os nomeados ao Oscar que assisti em 2016 mas, nesse ano, vou resumir em um post só e falar apenas sobre meus favoritos (decisão da qual já estou me arrependendo, tendo que escolher entre tantos…)

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La la land – O filme que abriu a temporada pra mim (e pra maioria das pessoas). Vi duas vezes no cinema, chorei um balde e ouvi a trilha sonora 30 vezes. O significado do título é maravilhoso e perfeito para a história: (algo como) quando alguém está fora da realidade e só consegue pensar em seus sonhos, o que descreve Mia e Sebastian e é a base da relação dos dois. A química entre Emma e Ryan é uma das mais poderosas do cinema atual, as músicas são perfeitas e a fotografia cria um mundo que parece pertencer apenas aos personagens, e é por isso que o filme é tão encantador, somos completamente imersos na história. Enfim, é pura magia! Recebeu 14 nomeações e provavelmente leva o prêmio principal da noite.

Lion – Uma história real sobre sobrevivência e amor, trazida às telas com toda a sensibilidade e o capricho que o cinema tem a oferecer. A primeira parte é carregada pelo incrível Sunny Pawar e a segunda por Dev Patel (o eterno Anwar!). E ainda tem Rooney Mara, formando um dos casais mais lindos do ano. Com 6 nomeações, espero que leve Melhor Ator Coadjuvante.

Capitão Fantástico – Outro filme mágico e original, que levanta discussões maravilhosas e que me inspirou muito! O elenco todo é encantador, mas Viggo Mortensen está incrível e recebe uma indicação para Melhor Ator.

Mulheres do Século 20 – Annette Bening, Greta Gerwig e Elle Fanning são mulheres incríveis nesse filme sobre anos 70, feminismo, punk rock e crise existencial. É óbvio que amei. Nomeado para Melhor Roteiro Original – sempre uma das categorias mais importantes pra mim.

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Moonlight – É raro um filme transmitir o horror de problemas sociais e, ao mesmo tempo, deixar que o espectador conheça os sentimentos mais profundos de seus personagens. Moonlight faz isso maravilhosamente, nos envolvendo em cada momento da vida de Chiron. Ousado, brutal, sensível e com a melhor fotografia do ano. Seria muito lindo vê-lo levando a estatueta de Melhor Filme. Nomeado em 8 categorias.

O Lagosta – Ainda não sei se realmente gostei desse filme, mas talvez esse seja mesmo o intuito. De qualquer jeito, decidi citá-lo pois com certeza é o filme mais estranho e um dos mais perturbadores do ano (empatando com Elle e Animais Noturnos). É pra quem gosta de ritmo lento, cinematografias bonitas e Black Mirror! Nomeado em Melhor Roteiro Original.

A Chegada – Se você chegou até aqui, já percebeu que eu prezo por sensibilidade, fotografia caprichada e atuações marcantes. A Chegada tem tudo isso e é o melhor entre os tantos filmes com tema alienígena/espacial dos últimos anos. Nomeado em 8 categorias – mas a Amy Adams infelizmente não recebeu uma 😦

Também assisti: Animais Noturnos, A Qualquer Custo, Manchester à Beira Mar, Estrelas Além do Tempo, Florence Foster Jenkins, Loving, Elle, Um Limite Entre Nós, Jackie e Até o Último Homem – mais ou menos em ordem de favoritismo. Contando com Animais Fantásticos e Onde Habitam e Doutor Estranho (indicados em categorias mais técnicas), assisti à 19 dos filmes nomeados! Mas talvez nessa semana que ainda falta pra premiação eu consiga conferir algum documentário ou filme estrangeiro 🙂

Claramente eu amo conferir os nomeados, porém, preciso dizer que é mais claro do que nunca pra mim que, apesar do Oscar ser importante como uma tradição, muitos filmes que são esnobados pela Academia são melhores do que alguns aclamados pela mesma. A gente com certeza não pode viver apenas dos filmes selecionados pela Academia, se quisermos entender e aproveitar tudo o que o cinema tem a oferecer. Mas todos os filmes indicados sempre valem a pena e, de qualquer jeito, a festa em si é sempre muito divertida e ridícula pra perder rsrs

Não Me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro

Algumas histórias nos marcam mais profundamente do que outras e a gente sempre quer revisitá-las. Passamos a entender seus personagens e deciframos seus diferentes significados. Uma das histórias que mais me marcaram na vida é Não Me Abandone Jamais. O livro é de 2005, escrito por Kazuo Ishiguro, mas eu só entrei em contato com a história em 2010, com sua adaptação para o cinema. O filme se tornou quase que imediatamente um dos meus favoritos, assisti muitas e muitas vezes, mas só fui ter o livro em mãos recentemente. 

Em uma realidade alternativa, clones foram desenvolvidos pela ciência, com objetivo de doarem seus órgãos vitais para humanos e, na metade do século XX, a expectativa de vida humana chega a ultrapassar 100 anos. Apesar de ser claramente uma ficção científica, todo o ambiente da história faz com que quase esqueçamos disso. A forma de criação desses clones não é especificada, mas sabemos que eles crescem e se desenvolvem como os demais seres, mas são isolados em internatos. 

Acompanhamos, então, a história de Kathy, Ruth e Tommy, três desses clones, que vivem no internato inglês Hailsham, e quando descobrem, no início da adolescência, seu doloroso destino. Para poucos naquele mundo parece ocorrer que aqueles seres sejam também humanos, e poucos se comovem que tenham de abandonar a vida por volta dos 30 anos, após 3 ou 4 doações. A história, então, nos apresenta questionamentos, como a definição de ser humano, de alma, de dever.

Outro fato que gosto muito dessa história é que Hailsham em si era um lugar de maravilhas e mistérios, ao mesmo tempo. Quando os personagens deixam a escola, já no fim da adolescência, passam a descobrir que os demais internatos pouco tinham qualquer preocupação com seus estudantes, nunca sentindo a necessidade de inspirá-los com belezas da humanidade, como a arte, por exemplo.

É claro que o livro é bem mais completo, e me apaixonei ainda mais pela história. Mas o filme, dirigido por Mark Romanek, continua sendo uma ótima adaptação, na minha opinião. Além de sua fidelidade com a história, os cenários escolhidos e a fotografia são lindos, e passam a melancolia e a sensibilidade da história. 

Espero que tenham se interessado pela história 🙂

Os últimos filmes

Oi oi! Me bateu uma vontade de postar alguma coisa e decidi falar sobre os filminhos que assisti nesse último fim de semana. Fazia um tempo que eu não assistia muitos filmes, desde aquele intensivo que fiz pro Oscar em janeiro e fevereiro. Mas, sabe aqueles filmes que, como cinéfilos, a gente sabe que já devia ter assistido, que nós muito provavelmente vamos curtir muito, mas que por algum motivo a gente vai deixando pra depois, e toda vez que vemos eles na listinha do Netflix bate aquela culpa? Pois é, decidi riscar alguns filmes da minha lista e, olha que surpresa!!!, amei todos e não sei o que tava fazendo da vida antes deles.

Os filmes que assisti foram todos lançados por volta do anos 2000, revolucionaram um pouco a maneira de se produzir roteiros e hoje viraram cults. Começando pelo Cães de Aluguel do Tarantino, que me fez admirar esse cara de uma vez por todas. Digo isso porque, por mais genial que Bastardos Inglórios e Django tenham sido, acho que a gente só entende o tom do trabalho dele de verdade quando assistimos seus filmes mais antigos (lê-se Pulp Fiction, um filme que está, aos poucos, entrando para os meus favoritos de toda a vida).

Também assisti Kill Bill: Vol. 2 e, talvez muita gente discorde, mas desculpa, achei esse muito mais legal que o primeiro, com um roteiro dez vezes mais envolvente. Tanto que assisti o Vol. 1 há quase um ano, e esse tempão que demorei até o segundo prova que eu não havia me apaixonado pela história, como aconteceu depois da continuação.

Seguindo a mesma linha sarcástica e com personagens porralouca, estão os irmãos Coen. Assisti Fargo e O Grande Lebowski, dois filmes completamente geniais, que já se tornaram clássicos, pela primeira vez (e, gente, ainda falta Onde os Fracos Não Têm Vez. Que isso Isabela, que tipo de cinéfila é você?).

Por fim, Trainspotting, mais um com personagens muito doidos e muito muito bom. Não tenho muito a dizer sobre esses filmes além disso! Metade do mundo já viu, a outra metade precisa ver e eu to feliz de tirá-los da listinha eterna.

É isso! Xx

Sofia e eu

No início da semana falei sobre o livro As Virgens Suicidas e como, eventualmente, re assisti à sua adaptação cinematográfica após a leitura. Acontece que o filme foi dirigido pela Sofia Coppola, umas das diretoras/roteristas que mais adoro. Acabei não resistindo à tentação falar um pouco sobre seus outros filmes.

Foi em algum momento logo após completar 13 anos que me senti desconectada do mundo pela primeira vez, e me apaixonei pelo cinema, pela literatura – enfim, pela ficção – e foi nessa época que descobri os filmes da Sofia. Com o passar dos (poucos, mas significativos) anos, fui aprendendo a levar, a viver no mundo real, meio que encontrei um equilíbrio. Mas sempre tem aquelas horas que me sinto na pré-adolescência outra vez e é um sacrifício encarar eu mesma e minha própria vida. Digo tudo isso pois é por essa mesma situação que todos os personagens da Sofia estão passando, e foi isso que me fez assistir seus filmes tantas e tantas vezes.

Sua estreia sutil, mas certeira e cheia de personalidade, com As Virgens Suicidas foi seguida por Encontros e Desencontros, aquele que provavelmente será pra sempre seu melhor filme. Tem o Bill Murray e a Scarlett em Tokyo, tem quartos de hotel, tem insônia, tem indecisão – e lhe rendeu um Oscar por roteiro original. Hoje eu compreendo muito mais as situações e capto melhor as sutilezas desse filme. Até me conecto mais com ele do que com aquele que costumava ser meu favorito, Maria Antonieta.

E não é que hoje eu tenha deixado que gostar desse último, mas acontece que eu era obcecada por esse filme, assistia ele todos dias. Acho impossível não se apaixonar pelo personagem que a Sofia imaginou para a Maria Antonieta e seus traços de menina doce, confusa e mal compreendida. Mas o melhor desse filme com certeza é a estética impecável, com um figurino vencedor de Oscar e a maneira única como Versailles é retratado.

Sofia passa uma elegância natural para seus filmes, sendo capaz de balancear qualquer que seja a história com incríveis trilhas sonoras, recheadas de rock alternativo. Vai desenhando seus personagens aos poucos, coloca significado em seus silêncios e insere críticas através de sátiras sutis. Acho que ela não só fez jus à família de grandes criadores do cinema da qual faz parte, mas também criou algo diferente e com personalidade.

Ela ainda tem outros dois filmes: Um Lugar Qualquer e Bling Ring. Eu gosto muito dos dois, mas não tanto quanto os outros. O primeiro porém, me apresentou a essa música, uma das que mais me tocam nessa vida.

Espero que tenham gostado!

O Woody Allen sendo identificável

Há dias em que a gente não consegue expressar o estamos sentindo, e nesses dias o Woody Allen fala por nós. Então só passei pra deixar por aqui alguns dos melhores momentos do meu neurótico favorito:

     

    

E tem feriados em que a gente chega à conclusão de que a melhor coisa a fazer é ficar em casa, assistir filmes e comer coisas gostosas. Introvertidos entenderão haha

As Virgens Suicidas

As Virgens Suicidas, livro escrito por Jeffrey Eugenides, de 1993, conta a história das irmãs Lisbon, cinco meninas que decidem tirar suas próprias vidas. Com um desenrolar muito bem construído, o livro é uma obra e tanto e segura o leitor, apesar de revelar o desfecho da história já na primeira página. 

A sensação de sufocamento na vida dos Lisbon é palpável desde o início. Criadas por uma mãe controladora e religiosa, as meninas são impedidas de vivenciar as descobertas da adolescência e o livro começa com o relato da primeira tragédia em suas vidas, que é seguida pela breve esperança de dias melhores. Mas, a partir de certo ponto, a narrativa passa a ser um cronômetro regressivo até o momento da tragédia. Quando tudo se torna pesado, cinzento e qualquer esperança vai se esvaindo. A casa da família Lisbon passa a definhar, assim como a mente e o corpo de seus moradores: uma ruína instalada no meio de um típico bairro subúrbio. E acho que o fator mais especial do livro é a narrativa, que acontece sob o ponto de vista das lembranças dos então garotos da vizinhança, que sentiam, e continuaram a sentir ao longo dos anos, até mesmo depois de adultos, enorme fascinação pelas garotas e decidem reconstruir suas trajetórias, na tentativa de entender seus atos finais.

Por algum motivo, foi no trecho de puro declínio na vida das meninas que o livro mais me envolveu. A maneira como o definho de suas vidas foi narrado é fascinante devido aos simbolismos construídos pelo autor. Banhado por inocência – tanto das protagonistas, quanto dos meninos que as amavam.

Eu já conhecia o filme há vários anos, e depois de assisti-lo outra vez agora, acho que a adaptação foi muito boa. O livro é claramente mais complexo, pelo motivo que já falei: sua escrita é muito bem construída. E o roteiro do filme, apesar de fiel, é bem mais simplório. Porém, todo o ambiente da história foi recriado com perfeição, passando toda a ideia de felicidade superficial que sufoca a realidade – que, na minha opinião, foi o que levou ao início da tragédia. Eu sou apaixonada pelos trabalhos da Sofia Coppola como diretora, e sua incrível sensibilidade casou perfeitamente com a história – e olha que esse foi o primeiro filme que dirigiu. 

Se alguém se interessou, recomendo uma leitura cuidadosa, pois, de outra maneira, a riqueza da narrativa pode escapar (eu mesma espero poder reler com mais calma algum dia). E também acho que vale a pena conferir o filme, mas sem comparar um ao outro, apenas deixando que eles se complementem. 

E é isso! beijos procês. ♡