Autor: Isa H.

algumas coisas que eu amo.

eu amo o fato de que a rua em que moro é tão cheia de árvores, tanto que a luz do sol se torna apenas fragmentos ao passar pelas folhas e as calçadas ficam cheias de folhas secas. eu amo a luz do sol no fim da tarde e as pinturas que o céu cria.

flores. meias. adesivos. bibliotecas. pinturas. k-pop. gatos. ficção. ilustrações. meus amigos e as conversas ridículas que temos. coisas esteticamente agradáveis. sentir que dei o meu melhor.

outras coisas que amo:

♡: the raven cycle.

a série de livros que tem me lembrado o quão maravilhoso livros podem ser. os personagens, o cenário, a narração: cada detalhe aqui é caprichado e me tocou bem lá no fundo.

♡: os vídeos da sophia.

aka uma das melhores coisas que já encontrei na internet.

♡: a iu.

a pessoa mais fofa, os vídeos mais lindos e uma voz que serve de calmante.

♡: o exo.

minha maior obsessão do momento. fiz essa playlist com minhas músicas favoritas deles (por enquanto): .

é isso! 🙂

imagens: 1, 2, 3.

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e prometo a mim mesma continuar tentando.

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Hoje em dia é bem difícil de encontrar alguém que não sofra de ansiedade, então feliz ou infelizmente a internet tá cheinha de relatos individuais sobre esse problema. Mas resolvi falar um pouquinho sobre minha próprias experiências, já que o dia tá sendo meio difícil.

E acho que um bom jeito de começar é pensado sobre a frase que acabei de escrever: “o dia tá sendo meio difícil”. O meio tá aí por um motivo. Pois o dia de hoje foi bom. Foi um dia calmo. Minha cantora favorita anunciou um álbum novo, eu conversei bastante com a minha melhor amiga, ouvi músicas, vi muitas artes bonitas no tumblr, me inspirei. Seria um dia perfeito, mas que foi difícil, pois uma vozinha que vinha me acompanhando há dias e crescendo dentro de mim aos poucos se fez mais presente. Uma voz que diz que algo está errado, que algo ruim vai acontecer. Uma voz que me faz sentir culpada o tempo todo, sem que eu saiba o porquê. Ela fica no fundo da mente e vai crescendo aos poucos, até que se torna presente fisicamente. O nosso peito fica literalmente pesado, a garganta se fecha até pra engolir em seco. A gente não sabe se quer chorar, se quer fugir pra outro continente e começa a questionar tudo, pois essa vozinha tira o brilho de tudo que a gente mais ama.

Eu não me lembro quando na minha vida comecei a me sentir assim. Realmente não me lembro. Desde pequena sinto que tô fazendo algo de errado sempre, mas acho que isso vem com as descobertas e incertezas naturais da infância mesmo. Mas na pré-adolescência, quando não tinha amigos na escola nova, perdi a vontade de estudar e comecei a passar todo o tempo que conseguia enterrada em livros e filmes, a sensação de angústia virou minha companheira constante. Uma vozinha dizendo que eu deveria me esforçar em atingir as metas que alguém (ainda não tenho certeza quem ou com quais fundamentos) havia inventado. Uma vozinha me dizendo que decepcionaria o mundo e que meus sonhos estavam ficando cada vez mais longes de mim. Que eu precisava me mover, ser extrovertida e uma aluna melhor.

Angústia. Angústia. Angústia. Um peso no meio do peito (sinto-o agora, enquanto escrevo).

E por muito tempo eu não sabia de onde isso vinha ou por que eu sentia isso. Eu achava que o termo ansiedade era só pra quando a gente queria que uma festa de aniversário chegasse logo ou algo assim. E um dia, no começo do meu terceiro ano do colegial, a moça da biblioteca da minha escola (eu realmente passava muito tempo na biblioteca) me mostrou partes de um livro que falava sobre a ansiedade, que dizia que essa era a doença do século. E pouco a pouco eu fui entendo o lado químico daquela velha angústia dentro de mim, e vendo que muita gente, bem mais do que eu imaginava, sentia a mesma coisa dentro deles.

E entender o que é a ansiedade é importante, eu acho, pois todas às vezes que eu não conseguir respirar sem saber o porquê, eu posso tentar (pelo menos tentar) explicar a mim mesma que não se trata de um pressentimento ou algo assim, mas é o meu próprio cérebro me enganando, meus próprios pensamentos caindo em um truque criado por eles mesmos.

Acho que cada um vai encontrar um jeito de se curar (respirar fundo e contar até dez é um método popular, e ajuda de verdade) e cada dia vamos descobrindo confortos novos dentro de nós mesmos, e ciclos de curas são reiniciados.

Eu não sei se um dia vou deixar de ter uma cabeça confusa e ansiosa. No fim, ser uma pessoa plena provavelmente ficará apenas no projeto. Hoje, tenho a autopreservação, autodescobrimento e a escrita como grandes confortos. E prometo a mim mesma continuar tentando.

sobre são paulo.

Procrastinadora que sou, percebi que faz um mês que fui pra São Paulo e o post sobre ainda não saiu. Então finalmente vim registrar aqui essa viagem.

Parece pouco, mas os quatro dias que passei em SP significaram muito. Visitei quatro cafés da Vila Madalena em uma tarde, passei horas andando pela Liberdade, visitei o MASP. Pro meu delírio estava tendo uma exposição sobre o Toulouse-Lautrec, meu segundo pintor favorito da vida (e olha que sou bastante leiga quando se trata de pintura). Também vi dois quadros do meu pintor FAVORITO, o Van Gogh. Foi lindo DEMAIS.

(destaque pras comidas tudo e pra minha nova camiseta do van gogh 💛)

Andar por aí com minha pessoa favorita, conhecer pessoas lindas, cafés, livrarias, arte! Meu coração se encheu de vida e minhas emoções ficaram à flor da pele, e é por momentos assim que continuo sonhando e vendo beleza na vida.

Outra vitória dessa viagem: visitei a Daiso e comprei um monte de coisas de gatinhos.

favoritos do momento: álbuns.

A trilha-sonora de julho e agosto têm sido dois álbuns fresquinhos: Melodrama, da Lorde e The War, do Exo. Dois álbuns que esperei pelo lançamento com uma excitação contida, mas ainda assim grande, e que, depois de lançados, foram crescendo aos poucos em mim, até que não saiam mais dos meus fones de ouvido.

Não consigo descrever Melodrama sem usar as palavras obra de arte. O álbum, pra mim, é exatamente o que deveria ser e se torna ainda mais perfeito quando já se conhecia seu antecessor. Enquanto Pure Heroine era um álbum de clima cinzento, Melodrama é a confusão colorida de quando a gente tá se descobrindo longe de casa. É sobre arte, amor, excitação e melancolia. E eu amo demais os sons desse álbum. Não sei como descrever, mas parece que cada pequeno som, cada mudança de ritmo e de tom, cada palavra estão ali por um motivo e trazem uma sensação. Eu realmente amo cada uma das músicas, mas The Louvre me encantou muito desde a primeira vez que ouvi.

Agora, olha esses videozinhos acústicos incríveis que me encantaram demais e me fizeram amar esse álbum ainda mais do que eu achava ser possível e o maravilhoso vídeo de Perfect Places:



Exo e todo o mundo do kpop entrou na minha vida há poucos meses e, nesse tempo, já me encantou mais do que parece ser possível. Feliz de ter chegado no fandom em tempo pra um álbum tão caprichado e delicioso de ouvir.

Uma coisa que Lorde e Exo têm em comum e que eu amo demais é como o visual complementa o som e cria toda uma atmosfera pros álbuns. O vídeo de Ko Ko Bop é tão perfeito que eu honestamente não consigo falar sem soar retardada, então aqui tá ele:

E é isso. Meninos coreanos tão talentosos que dão raiva, e Lorde e suas amigas feiticeiras é o que tem rolados por aqui.

um pouco dos personagens que moram na minha mente.

(pra ressuscitar esse blog)

Faz sete anos que Mário, avô de Marina, faleceu. A garota, hoje com 20 anos, caminha pelo cemitério. Já de longe avista o túmulo onde se encontra uma gravura do um homem sorridente, pratilheiras de livros ao fundo, uma gravata que exibe as cores do arco-íris no pescoço.

Nunca esquecerá a última vez que o viu. Tinha 13 anos. O avô saiu do hospital, buscou a garota em sua casa, levou-a até a praia. Esticado na areia, ao som das ondas, fechou os olhos e sussurrou: “Quero que sinta a vida enquanto estou aqui deitado”.

São essas as palavras hoje gravadas em seu túmulo. Marina obedece: sorri, deixa que uma lágrima escorra por seu rosto, sonha. Vai embora. Uma fita que exibe as cores do arco-íris amarradas em seu cabelo.tumblr_ohontzO87L1vuf8d0o2_1280

imagem: x

A estrangeira

A moça da padaria, com olhar distraído, colocou três pães no saco de papel e me entregou. Mas eu havia pedido apenas dois. Ou será que pedi três, mesmo sem querer? Talvez a distraída seja eu. De qualquer jeito, não pude deixar de simpatizar com ela, que pode estar, assim como eu, com a cabeça cheia demais – mas alguns diriam vazia demais. Bom, pouco importa. Saio da padaria e sou contaminada pelo mesmo olhar distante que detectei na atendente. Meus olhos desfocam da calçada, meus pés me levam até minha rua, daquela forma automática como os atos diários acontecem – sem que tomemos real consciência deles.

Minha rua, a 1, é a mais arborizada da cidade. Os galhos das imensas árvores formam, acima dos paralelepípedos, um grande arco verde. Houve uma época em que meu maior desejo era poder morar em um lugar assim, mas sei que hoje não o aproveito o suficiente. A cidade, a alta velocidade sempre me cansou mas, dentro de sua inércia, sou acostumada, no fim do dia, a correr para o plácido conforto que encontro dentro de casa. Forço-me a desacelerar o passo, respiro fundo e apuro os ouvidos para o farfalhar das folhas das árvores. Nesse momento, passo em frente a velha biblioteca municipal. Percebo que, mesmo há tantos anos morando aqui, esse foi o único ponto da cidade com o qual realmente me familiarizei.

Mas gosto da sensação de me sentir uma estrangeira. Trouxe muitos dos meus hábitos de minha cidade natal – os cafés passados, as longas horas de leitura, a quase constante solidão – prático-os de forma quase religiosa. Tudo o que aprendi em casa continua comigo, mas os amo ainda mais agora que não preciso sentir o ar caseiro, que durante toda a vida tanto me atordoou. Fugi e trouxe comigo uma bagagem inesperada, na qual só fui capaz de adicionar algumas milhares de páginas lidas. Vejo o que sou. Uma falsa aventureira, uma senhora enganadora e destruidora dos próprios sonhos.

A lembrança da fervorosa escritora não publicada que já fui, de repente, surge diante de mim como uma sombra, como se houvesse aproveitado um momento de distração, arrastado-se desde o fundo de minha mente onde há tempos encontrava-se aprisionada, ansiando por ser.

O vento fica mais potente e mais gelado. Balança os galhos das árvores e o farfalhar de suas milhares de pequenas folhas mistura-se ao canto pujante dos pássaros no fim de tarde, criando uma orquestra que embala a cena de meu caminhar, em um ritmo quase teatral. Era sobre isso. Sobre a sensação de nostalgia e de descoberta, que nos invade sem pedir licença. Sobre ínfimos momentos de vida. Inexplicáveis, raros. Os quais estamos todos tão famintos por. Era para cada um desses sentimentos e sensações que uma versão mais jovem de mim esperava encontrar palavras para descrever.

Chego em casa e decido escrever. Escrevo esse texto que lês. A narrativa encontra o presente e encontro-me ciente do agora. Ciente de cada respiração, de cada movimento diminuto. Me pergunto se me encontro em combustão, se irei finalmente encontrar as respostas. Ou se este é apenas um rascunho a mais para a pilha. Talvez eu possa fazer deste o exemplar definitivo de meu fracasso em expressar o que carrego de mim, de organizar minhas infinitas horas de reflexões pleonásticas.

A folha e o lápis me encaram com olhos questionadores. Se perguntam quem me tornei neste período de ausência. “Teremos a resposta? Continuará ela a escrever?” Indagam. “Ou ela engana a si mesma? Talvez abandone-nos mais um vez”.

Quem serei? Me deixarei levar pela tranquilidade do normal? Serei como a senhora que mora ao lado, que cuida das plantas e dos netos? Ou perderei minha razão procurando minha mente, como fez Clarice?

Perderei minha mente procurando minha razão?

songs i love 

Eu descobri TANTA música maravilhosa nos últimos meses, então aqui tá um pouco da trilha sonora da época mais linda-angustiante-incrível-melancólica da minha vida até agora:

música, você é a melhor coisa que o ser humano foi capaz de criar.