Uma interrogação gigante

Eis algumas coisas que descobri de ano pra cá: procurar perfeição é extremamente exaustivo. acreditar em tudo que os professores dizem é um erro. acreditar em tudo que qualquer um diz é um erro. ter certeza é um erro. errar é bom.

É meio o que a Jout Jout fala naquele vídeo sobre ser adulto: a gente acha que vai saber de tudo quando crescer. Mas, depois dos 17, nossas certezas se dissipam, a confusão toma conta e a gente chora escondido antes de dormir. Mas o lado belo disso é o seguinte: isso acontece com todo mundo. E não sei se isso tudo é óbvio pra maioria de vocês, mas só fui descobrir depois de ter esquentado muito a cabeça com o que não devia. Demorei muito até perceber que a felicidade não cabe dentro de uma fórmula e fiz eu mesma sofrer na busca de certezas e regras que não combinavam comigo. Fui descobrindo que meu corpo não precisava ser perfeito, minhas motivações não precisavam ser iguais às dos outros, minhas crenças não precisavam ser imutáveis.

Veja bem, esse estado de incerteza e objeção geral faz parte da natureza humana e sua acentuação é uma consequência dos tempos modernos. Ou seja, somos uma raça que sente coisas (alguns de nós ainda tem a sorte de sentir ainda mais do que o pré determinado) e, mais do isso, o século XXI nos trouxe um modo de vida singular: nunca o mundo foi tão mutável e plural, e tudo se move à velocidade da luz.

Meu ponto é o seguinte: nós andamos pelo mundo com um ponto de interrogação gigante estampado na testa, e sorte daqueles que reconhecem isso. Digo isso pois, desse jeito, o peso de tantas questões nos enlouquece menos e a gente se sente acolhido nas dúvidas dos outros. E também porque, como eu disse, certeza é uma palavra horrível e se utilizar muito dela pode nos deixar arrogantes.

Acho que a gente se sente melhor com nós mesmos e com os outros quando entendemos tudo isso. Pelo menos pra mim foi assim. Não existe o certo. Não preciso me censurar. Não preciso julgar ninguém. E fico feliz em dizer que pelo menos esse peso já tirei dos meus ombros.

P.S.: estou tirando alguns textos aqui do baú de rascunhos, esse era um deles.

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6 comentários

  1. Concordo totalmente com seu texto. Fui ter essa percepção depois de terminar o ensino médio, eu não aceitava sair de lá sem saber o que eu iria fazer depois e pro resto da minha vida, mas a gente muda tanto, a vida leva a gente por tantos caminhos que é incerto o que faremos no dia seguinte, imagine pro resto da vida.
    Não saber tudo o tempo tanto é assustador e reconfortante ao mesmo tempo ❤

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  2. Oi Isaaa! Você tá certíssima sobre tudo isso, de errar, de não ser perfeito, de não ter certezas, de tudo isso ser normal. mas eu acho tão difícil lutar contra esse perfeccionismo todo… saber da teoria já ajuda, mas na hora de colocar em prática não é tão simples… enfim, gostei muito desse seu baú, viu!?

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