As Virgens Suicidas

As Virgens Suicidas, livro escrito por Jeffrey Eugenides, de 1993, conta a história das irmãs Lisbon, cinco meninas que decidem tirar suas próprias vidas. Com um desenrolar muito bem construído, o livro é uma obra e tanto e segura o leitor, apesar de revelar o desfecho da história já na primeira página. 

A sensação de sufocamento na vida dos Lisbon é palpável desde o início. Criadas por uma mãe controladora e religiosa, as meninas são impedidas de vivenciar as descobertas da adolescência e o livro começa com o relato da primeira tragédia em suas vidas, que é seguida pela breve esperança de dias melhores. Mas, a partir de certo ponto, a narrativa passa a ser um cronômetro regressivo até o momento da tragédia. Quando tudo se torna pesado, cinzento e qualquer esperança vai se esvaindo. A casa da família Lisbon passa a definhar, assim como a mente e o corpo de seus moradores: uma ruína instalada no meio de um típico bairro subúrbio. E acho que o fator mais especial do livro é a narrativa, que acontece sob o ponto de vista das lembranças dos então garotos da vizinhança, que sentiam, e continuaram a sentir ao longo dos anos, até mesmo depois de adultos, enorme fascinação pelas garotas e decidem reconstruir suas trajetórias, na tentativa de entender seus atos finais.

Por algum motivo, foi no trecho de puro declínio na vida das meninas que o livro mais me envolveu. A maneira como o definho de suas vidas foi narrado é fascinante devido aos simbolismos construídos pelo autor. Banhado por inocência – tanto das protagonistas, quanto dos meninos que as amavam.

Eu já conhecia o filme há vários anos, e depois de assisti-lo outra vez agora, acho que a adaptação foi muito boa. O livro é claramente mais complexo, pelo motivo que já falei: sua escrita é muito bem construída. E o roteiro do filme, apesar de fiel, é bem mais simplório. Porém, todo o ambiente da história foi recriado com perfeição, passando toda a ideia de felicidade superficial que sufoca a realidade – que, na minha opinião, foi o que levou ao início da tragédia. Eu sou apaixonada pelos trabalhos da Sofia Coppola como diretora, e sua incrível sensibilidade casou perfeitamente com a história – e olha que esse foi o primeiro filme que dirigiu. 

Se alguém se interessou, recomendo uma leitura cuidadosa, pois, de outra maneira, a riqueza da narrativa pode escapar (eu mesma espero poder reler com mais calma algum dia). E também acho que vale a pena conferir o filme, mas sem comparar um ao outro, apenas deixando que eles se complementem. 

E é isso! beijos procês. ♡

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