A madrugada me desbloqueou

Estou passando por um tipo de bloqueio criativo, desculpa aí gente, mas nessas horas é melhor não tentar espremer nenhum texto à força. Porém, sabemos que bloqueio não significa falta de sentimentos e talvez agora eu consiga liberar alguma coisa. Acho que vale dizer que nesse momento em que escrevo é quase madrugada e, veja bem, eu amo madrugadas, mas é terça-feira e eu estou tentando levar uma vida mais regrada (pensando no futuro, sabe?). Mas nos últimos dias a minha velha amiga insônia tem me visitado, então vou fazer bom uso de estar acordada nesse momento mágico, em que o mundo está tão silencioso que conseguimos ouvir quando os aviões passam a milhares de metros de altitude.

De fato, essas insônias não tem sido tão sofridas como costumavam ser, não sei ao certo por que. Talvez porque tenho usado elas pra ficar pensando sobre a vida. E por mais bobão que isso possa soar, esse é um traço da minha mente (ou alma?) que só eu sei o quão meu é. Sempre fui nostálgica, até quando mal tinha lembranças coletadas. Sempre amei as imagens vultuosas da infância de maneira dolorida. Sempre encontrei uma quantidade ridícula de poesia na solidão da cidade, nos vícios de almas atormentadas, nos traumas que a gente carrega. Sempre admirei quem ousa escrever sobre a vida, nua e crua, e sobre corações dilacerados. Sempre senti a beleza de cidades grandes (apesar de não viver em uma), onde todo mundo cerca todo mundo, mas ninguém entende ninguém.

O tamanho e as belezas do mundo me encantam tanto que meu peito metamorfoseia sentimentos em dor física. E, nessas horas, eu queria estar vivendo mais intensamente, queria descobrir como chegar lá. E quero que minha vez chegue logo. Não quero mais me sentir tão desconectada do mundo a minha volta, não quero sentir tanta ânsia por refúgios.

Esse último parágrafo foi um retrato da minha crise atual, mas decidi não fazer desse texto um desabafo nem nada, quero fazer dele um simplório retrato da minha mente que gosta de encontrar poesia em tudo. Quero que ele vibre nostalgia, como essa batida que está ecoando na minha cabeça.

E, pensando bem, falei besteira, pois eu vivo intensamente. Eu me jogo nos meus sentimentos e nunca consigo ser fria. Talvez esse seja o grande motivo da minha falta de perspectiva sobre como aquelas viagens, aquelas paixões, aquelas conversas-tipo-filme-independentemente e aqueles festivais de música ainda vão cruzar meu caminho, sim. Calma aí, Isabela, peloamor. E não posso deixar de ter refúgios na arte, que besteira, meus momentos de introspecção com a ficção fazem parte de mim, não posso lutar contra eles.

E esse textão só saiu porque madrugadas são mágicas. E porque tenho ouvido muita música boa, criada por gente romântica e nostálgica como eu. Que bom, pelo menos isso.

Vida longa às palavras e às melodias melancólicas.

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12 comentários

  1. Vida longa!
    Me identifiquei com muito do que você disse.
    Infelizmente, para mim, as madrugadas de insônia não tem sido muito proveitosas. Passei da dor, à criação e agora ao nada. Queria tanto voltar às divagações inspiradoras… Quem sabe.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gostei tanto desse post que nem sei o que dizer, me identifico muito com essas madrugadas… o que é terrível, porque é difícil concentrar e produzir. Fora que bate aquela solidão danada e você começa ter tantos pensamentos que parece que a cabeça vai explodir! Ao mesmo tempo, o seu post (e principalmente a foto) me passou tanta leveza, você parece ser tão tranquila, calma… Sobre o bloqueio criativo, já passei por isso, fiquei um tempão sem escrever me perguntando, o que causou isso? Com o tempo volta, é só ter paciência. hehehe

    Abrçs!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Thais! Fiquei tão feliz com essa primeira frase do comentário que nem sei o que dizer… Hahaha muito obrigada, de verdade! É ótimo quando a gente se identifica com o texto de alguém, mas insônia pode ser algo bastante chato, né?
      E quanto a ser uma pessoa calma, eu não sou! Gosto de pensar que sou alguém legal e gentil, mas dentro da minha cabeça é uma confusão sem fim! Mas vou ter paciência e deixar a escrita vir quando ela quiser haha
      Beijos

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