A música e a dor, por Amy

O documentário Amy é um dos mais incríveis que já assisti, hands down. Trás várias imagens inéditas de sua vida e acho que a grande sacada foi usá-las pra contar toda a história. Vemos uma Amy jovem, cheia de paixão, e assistimos ela mudar. Durante os dez anos que antecederam sua morte, conforme foi alcançando a fama, é visível como seu olhar foi perdendo o brilho, a forma do seu corpo mudou e tudo ficou meio distorcido. Percebi como nunca antes o quão especial era o ser humano Amy.

Ela sempre teve seus problemas, sempre sentiu demais, amou demais, sofreu demais, sempre se entregou de maneira verdadeira. Amy sentiu o peso e a angústia de existir durante toda sua vida e transbordou tudo isso em forma de poesia quando escrevia suas letras. Foi nessa área que a música a salvou por anos, lhe deu respiro e abrigo, foi sua maior paixão. Algumas das cenas mais incríveis são as de Amy durante a produção de sua grande obra, Back to Black. Tudo ali é puro desabafo, é dor transformada em arte.

Já sua voz só pode ter sido uma dádiva mesmo. Me faz imaginar se a música e a dor já não estavam traçadas no destino. Talvez por ser tão impecável, tão maravilhosa, sua voz fez com que a música se tornasse mais um peso que tivesse que carregar. Ela não sabia ser o que o próprio talento fez com que ela se tornasse. “Essa é uma pessoa que está tentando desparecer”, é o que um de seus amigos um dia enxergou nela.

Dos seus distúrbios alimentares aos abusos de drogas, Amy sempre esteve gritando por ajuda e poucos – pra não dizer ninguém – enxergaram. A pior parte de todo o filme é quando Amy se transforma em uma fonte de piadas para toda a mídia. Suas tropeçadas eram praticamente celebradas, e todos sabem como isso acabou. É impossível não terminar o documentário sentindo uma certa repulsa por esse mundo, que já causou mal a tantas pessoas incríveis.

“Ela falou: ‘Se eu pudesse trocar tudo isso, só pra poder andar pela rua, sem confusão, eu trocaria’”. Talvez Amy fosse talentosa demais pra ser compreendida, verdadeira demais para o mundo, sensível demais para a vida. Tão humana e ao mesmo tempo tão… caralho, que artista!

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16 comentários

  1. Perfeito esse documentário! Estava ansiosa pra ver e não me decepcionei, pelo contrário! Me identifiquei muito com as suas impressões sobre a produção da obra e sobre a pessoa documentada em si. Ainda mais maravilhosa do que eu pensava! Terminei de assistir com um nó na boca do estômago.

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  2. Esse drama não é exclusivo à Amy, o que também não o diminui em nada. Vários outros artistas que sentiam demais e amavam demais (amanhã os fãs estarão se lembrando de Kurt Cobain), gritaram por socorro a vida inteira e encontraram pouca ajuda. Nem sempre por falta de tentativa das pessoas ao redor, mas por viverem numa armadilha de sentimentos e vícios complexos. O desejo de fugir da fama e das dores que a mídia influenciava é conhecido e, às vezes, dói pensar em como consumimos tudo isso. Quantas vezes damos “ibope” para essas matérias e fizemos valer o clique, que é o que conta para as publicações de hoje em dia.
    Perder Amy foi algo que me chateou muito. Frequentemente lamento por saber que jamais ouviremos novas canções em sua voz singular e inesquecível. Fico feliz que o documentário traga reflexões e abra espaço para o lado humano dela ❤

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    1. Oi, Lari! Sim, acho que com uma grande talento tbm vem um grande fardo. Sempre achei que esse era o caso do Michael e do Freddie também! Eu li uma biografia do Kurt no ano passado e fiquei até impressionada com o quão pesados eram os pensamentos e sentimentos dele. Era uma mente realmente sem descanso.
      E, no fim, por serem tão únicos, eles causam tamanha fascinação, que tudo acaba piorando com a atenção sem limites que recebem. É duro 😦
      Beijão!

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  3. Amy foi uma pessoa de se admirar! Aprendi a gostar dela com meu pai, o que mostra que ela é realmente foda, pois ele sabe escolher! Além disso, é muito fácil julgar as pessoas, principalmente as polêmicas, sem realmente conhecê-las! Já vi o trailer desse documentário e vi que lançou no Netflix! Próxima parada!

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  4. Não conheço muito bem as músicas da Amy a não ser Rehab. Confesso que nunca tive muito interesse e alguma músicas dela a abacava não curtindo muito.

    Mas o seu opinião sobre o documentário, aguçou minha curiosidade por mais músicas dela e sua historia com a arte.

    O sucesso ainda mais nesse meio Hollywood deve ser algo tão vazio as vezes que muyos tegam fugir mas parece que fugir é p q eles querem q façamos ate nos esgotarem,e a fuga acabar sendo outra, bem triste é preciso MT equilíbrio.

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