Turbilhão 

Ando distraída o dia todo. Poderia ter esbarrado em alguém e não ter percebido, estava pensando em outra coisa. Nem lembro quais aulas tive hoje. Me fizeram uma pergunta e respondi um sim, mas espera, qual era a pergunta mesmo? Pra que que abri o armário mesmo? Qual a próxima coisa pra fazer mesmo?

Que moça distraída na padaria, colocou 4 pães pra mim, mas eu tinha pedido 3! Pensando melhor, posso muito bem ter pedido 4. E se não pedi, simpatizo com a moça, compartilhamos a cabeça cheia demais (mas alguns diriam vazia demais).

Também tem esse aperto na garganta. Ele sempre aparece, e hoje veio sem qualquer pré-anúncio e me acompanhou em todos os lugares aos quais fui. Se vasculho a mente não encontro nenhum problema impossível de ser solucionado, pelo contrário, me sinto culpada de não agradecer mais por tudo que tenho.

A impressão é de que estou encomodada na minha própria pele, parece que não posso mais contar comigo mesma. Estou perdendo a confiança na minha própria mente. Desaprendi a me cuidar. A ansiedade de ter tudo feito tem tido efeito paralisante sobre mim. Essas são constatações quase assustadoras.

“I don’t care if it hurts, I wanna have control, I wanna a perfect body, I wanna a perfect soul”

Procurei tanto o equilíbrio e o controle, mas os dois foram se soltando de mim aos poucos, com a promessa de voltar no dia seguinte, na próxima segunda-feira talvez. Amanhã vou procurá-los outra vez, mas a esperança de encontrá-los está cada vez menor. Já os sinto distante.

Construíamos, porém, um cenário otimista. Que eu continue a andar aos tropeços (e pensar aos tropeços, principalmente), sofrendo com meu over-thinking paralisante, mas continuando (sim, pois a vida sempre nos obriga a fazê-lo) e conquiste a liberdade com a qual sonho, e viva as jornadas com as quais sonho (ambas seriam bem-vindas até mesmo se bagunçadas). Um dia essa jornada pode me levar ao lugar distante onde os ditos equilíbrio e controle decidiram se alojar. Vou olhá-los, examiná-los e talvez chegar à conclusão de não que mais cabem na minha bagagem e que agora já prefiro todas as tralhas menos honráveis que fui jogando nela ao longo dos anos. Vou comemorar: estarei livre!

Realmente, QUE cenário! (P.S.: que seja ele na Europa).

“For what it’s worth, it was worth all the while” 

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